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Fragments from “Auguries of Innocence”
-Blake

To see a World in a Grain of Sand And a Heaven in a Wild Flower, Hold Infinity in the palm of your hand And Eternity in an hour.
Feuilles


-Ricardo Mayo

Est-ce que tu saurais pourquoi les feuilles tombent toujours?

Serait-ce pour se rapprocher encore plus de la terre?

Ou serait-ce cette chute magnifique, singulière

Qui les pousse à prendre, tout d’un coup, ce vol de martyr?

Ou serait-ce que le vent, après les avoir seduites

Avec ces tendres caresses et douces promesses de constance,

N’arrive pas, en fin de compte, dans cette heure de vérité

À se gonfler de courage pour les soutenir?

Quelle que soit son origine, cette chute est sans doute très belle.

L’isolement

-Lamartine

Souvent sur la montagne, à l’ombre du vieux chêne,

Au coucher du soleil, tristement je m’assieds ; 
Je promène au hasard mes regards sur la plaine,
Dont le tableau changeant se déroule à mes pieds.

Ici gronde le fleuve aux vagues écumantes ;
Il serpente, et s’enfonce en un lointain obscur ;
Là le lac immobile étend ses eaux dormantes
Où l’étoile du soir se lève dans l’azur.

Au sommet de ces monts couronnés de bois sombres,
Le crépuscule encor jette un dernier rayon ;
Et le char vaporeux de la reine des ombres
Monte, et blanchit déjà les bords de l’horizon.

Cependant, s’élançant de la flèche gothique,
Un son religieux se répand dans les airs :
Le voyageur s’arrête, et la cloche rustique
Aux derniers bruits du jour mêle de saints concerts.

Mais à ces doux tableaux mon âme indifférente
N’éprouve devant eux ni charme ni transports ;
Je contemple la terre ainsi qu’une ombre errante
Le soleil des vivants n’échauffe plus les morts.

De colline en colline en vain portant ma vue,
Du sud à l’aquilon, de l’aurore au couchant,
Je parcours tous les points de l’immense étendue,
Et je dis : ” Nulle part le bonheur ne m’attend. “

Que me font ces vallons, ces palais, ces chaumières,
Vains objets dont pour moi le charme est envolé ?
Fleuves, rochers, forêts, solitudes si chères,
Un seul être vous manque, et tout est dépeuplé !

Que le tour du soleil ou commence ou s’achève,
D’un oeil indifférent je le suis dans son cours ;
En un ciel sombre ou pur qu’il se couche ou se lève,
Qu’importe le soleil ? je n’attends rien des jours.

Quand je pourrais le suivre en sa vaste carrière,
Mes yeux verraient partout le vide et les déserts :
Je ne désire rien de tout ce qu’il éclaire;
Je ne demande rien à l’immense univers.

Mais peut-être au-delà des bornes de sa sphère,
Lieux où le vrai soleil éclaire d’autres cieux,
Si je pouvais laisser ma dépouille à la terre,
Ce que j’ai tant rêvé paraîtrait à mes yeux !

Là, je m’enivrerais à la source où j’aspire ;
Là, je retrouverais et l’espoir et l’amour,
Et ce bien idéal que toute âme désire,
Et qui n’a pas de nom au terrestre séjour !

Que ne puîs-je, porté sur le char de l’Aurore,
Vague objet de mes voeux, m’élancer jusqu’à toi !
Sur la terre d’exil pourquoi resté-je encore ?
Il n’est rien de commun entre la terre et moi.

Quand là feuille des bois tombe dans la prairie,
Le vent du soir s’élève et l’arrache aux vallons ;
Et moi, je suis semblable à la feuille flétrie :
Emportez-moi comme elle, orageux aquilons !

"Hope" is the thing with feathers

-Emily Dickinson


"Hope" is the thing with feathers—

That perches in the soul—

And sings the tune without the words—

And never stops—at all—


And sweetest—in the Gale—is heard—

And sore must be the storm—

That could abash the little Bird

That kept so many warm—


I’ve heard it in the chillest land—

And on the strangest Sea—

Yet, never, in Extremity,

It asked a crumb—of Me.

Untitled

-Emily Dickinson

There's a certain slant of light,
On winter afternoons,
That oppresses, like the weight
Of cathedral tunes.

Heavenly hurt it gives us;
We can find no scar,
But internal difference
Where the meanings are.

None may teach it anything,
'T is the seal, despair, -
An imperial affliction
Sent us of the air.

When it comes, the landscape listens,
Shadows hold their breath;
When it goes, 't is like the distance
On the look of death.
Stopping in the Woods on a Snowy Evening
-Robert Frost
Whose woods these are I think I know.   
His house is in the village though;   
He will not see me stopping here   
To watch his woods fill up with snow.   

My little horse must think it queer   
To stop without a farmhouse near   
Between the woods and frozen lake   
The darkest evening of the year.   

He gives his harness bells a shake   
To ask if there is some mistake.   
The only other sound’s the sweep   
Of easy wind and downy flake.   

The woods are lovely, dark and deep,   
But I have promises to keep,   
And miles to go before I sleep,   
And miles to go before I sleep.
Nur zwei Dinge

-Gottfried Benn

Durch so viele Formen geschritten,
durch Ich und Wir und Du,
doch alles blieb erlitten
durch die ewige Frage: wozu?

Das ist eine Kinderfrage.
Dir wurde erst spät bewußt,
es gibt nur eines: ertrage
- ob Sinn, ob Sucht, ob Sage-
dein fernbestimmtes: Du mußt.

Ob Rosen, ob Schnee, ob Meere,
was alles erblühte, verblich,
es gibt nur zwei Dinge: die Leere
und das gezeichnete Ich.

Receita de Mulher

-Vinicius de Moraes

As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso
Qualquer coisa de dança, 
qualquer coisa de haute couture
Em tudo isso (ou então
Que a mulher se socialize 
elegantemente em azul, 
como na República Popular Chinesa).
Não há meio-termo possível. É preciso
Que tudo isso seja belo. É preciso 
que súbito tenha-se a 
impressão de ver uma 
garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só 
encontrável no terceiro minuto da aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas 
que se reflita e desabroche
No olhar dos homens. É preciso, 
é absolutamente preciso
Que seja tudo belo e inesperado.
É preciso que 
umas pálpebras cerradas
Lembrem um verso de Éluard e que se acaricie nuns braços
Alguma coisa além da carne: que se os toque
Como o âmbar de uma tarde. Ah, deixai-me dizer-vos
Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro
Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e 
Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem
Com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos então
Nem se fala, que olhe com certa maldade inocente. Uma boca
Fresca (nunca úmida!) é também de extrema pertinência.
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos
Despontem, sobretudo a rótula no cruzar das pernas, 
e as pontas pélvicas
No enlaçar de uma cintura semovente.
Gravíssimo é porém o problema das saboneteiras: 
uma mulher sem saboneteiras
É como um rio sem pontes. Indispensável.
Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida
A mulher se alteie em cálice, e que seus seios
Sejam uma expressão greco-romana, mas que gótica ou barroca
E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de cinco velas.
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral
Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal!
Os membros que terminem como hastes, mas que haja um certo volume de coxas
E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem
No entanto, sensível à carícia em sentido contrário. 
É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio
Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!).
Preferíveis sem dúvida os pescoços longos
De forma que a cabeça dê por vezes a impressão
De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre
Flores sem mistério. Pés e mãos devem conter elementos góticos
Discretos. A pele deve ser frescas nas mãos, nos braços, no dorso, e na face
Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior
A 37 graus centígrados, podendo eventualmente provocar queimaduras
Do primeiro grau. Os olhos, que sejam de preferência grandes
E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da Terra; e
Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro de paixão
Que é preciso ultrapassar. Que a mulher seja em princípio alta
Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.
Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se fechar os olhos
Ao abri-los ela não estará mais presente 
Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber
O fel da dúvida. Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.

Mending Wall

-Frost

Something there is that doesn’t love a wall, 
That sends the frozen-ground-swell under it, 
And spills the upper boulders in the sun, 
And makes gaps even two can pass abreast. 
The work of hunters is another thing: 
I have come after them and made repair 
Where they have left not one stone on a stone, 
But they would have the rabbit out of hiding, 
To please the yelping dogs. The gaps I mean, 
No one has seen them made or heard them made, 
But at spring mending-time we find them there. 
I let my neighbor know beyond the hill; 
And on a day we meet to walk the line 
And set the wall between us once again. 
We keep the wall between us as we go. 
To each the boulders that have fallen to each. 
And some are loaves and some so nearly balls 
We have to use a spell to make them balance: 
'Stay where you are until our backs are turned!' 
We wear our fingers rough with handling them. 
Oh, just another kind of out-door game, 
One on a side. It comes to little more: 
There where it is we do not need the wall: 
He is all pine and I am apple orchard. 
My apple trees will never get across 
And eat the cones under his pines, I tell him. 
He only says, ‘Good fences make good neighbors’. 
Spring is the mischief in me, and I wonder 
If I could put a notion in his head: 
'Why do they make good neighbors? Isn't it 
Where there are cows? 
But here there are no cows. 
Before I built a wall I’d ask to know 
What I was walling in or walling out, 
And to whom I was like to give offence. 
Something there is that doesn’t love a wall, 
That wants it down.’ I could say ‘Elves’ to him, 
But it’s not elves exactly, and I’d rather 
He said it for himself. I see him there 
Bringing a stone grasped firmly by the top 
In each hand, like an old-stone savage armed. 
He moves in darkness as it seems to me~ 
Not of woods only and the shade of trees. 
He will not go behind his father’s saying, 
And he likes having thought of it so well 
He says again, “Good fences make good neighbors.”

Wind and Window Flower

-Frost

Lovers, forget your love,
And list to the love of these,
She a window flower,
And he a winter breeze.

When the frosty window veil
Was melted down at noon,
And the caged yellow bird
Hung over her in tune,

He marked her though the pane,
He could not help but mark,
And only passed her by
To come again at dark.

He was a winter wind,
Concerned with ice and snow,
Dead weeds and unmated birds,
And little of love could know.

But he signed upon the sill,
He gave the sash a shake,
As witness all within
Who lay that night awake.

Perchange he half prevailed
To win her for the flight
From the firelight looking-glass
And warm stove-window light.

But the flower leaned aside
And thought of naught to say,
And morning found the breeze
A hundred miles away.